Educação Terapêutica
Instituição, inspirada pela Antroposofia (Waldorf), sem fins lucrativos que atende crianças, jovens e adultos neurodivergentes.
Objetivo:
Desenvolvimento físico, anímico e espiritual de crianças/jovens de 07 a 14 anos por meio da Educação Terapêutica de base antroposófica (inspirado na pedagogia Waldorf), sempre priorizando as necessidades e o fortalecimento das capacidades individuais, possibilitando uma evolução adequada ao aluno. Dos 15 aos 17 anos, os assistidos seguem para a Educação terapeuta II, com o objetivo de desenvolver habilidades especificas, para então, aos 18 anos, início da fase adulta integrar-se na Terapia Social.
As atividades são propostas para melhorar o ganho de autonomia, numa perspectiva terapêuticas que possam contribuir para um melhor equilíbrio emocional e trabalhos que possam desenvolver os sentidos básicos, do tato, vital, movimento e equilíbrio que são imprescindíveis para melhorar a percepção dos limites do corpo, estar mais presente, melhorar o foco e atenção, etc.
Atividade Diária:
Recepção – Inicia-se o dia com a recepção dos alunos na abertura do portão, verso da manhã em sala de aula e o verso individual.
Ritmo – O dia começa com o ritmo/música, feito com movimentos e gestos para “acordar o corpo”. As músicas e versos são de acordo com o conteúdo da época em que estão vivenciando, das estações do ano e das Festas Cristãs (Páscoa, Festa Junina, Micael e Natal) – Desenvolve a prontidão para o aprendizado, auxilia na fala e socialização, atua nos sentidos básicos (tato, vital, movimento e equilíbrio) e melhora o desenvolvimento das direções (cima/baixo, frente/tras, direita/esquerda). Duração: aproximadamente 20 minutos.
Época – O tema escolhido para o período deverá durar aproximadamente 1 mês para que possa ser assimilado pelo aluno. Muitas vezes é necessário estender a época um pouco mais, dependendo do conteúdo e da necessidade de cada um.
Atividades do educador responsável pela sala
Aquarela – A vivência do mundo das cores permite ao aluno despertar o interesse e admiração pelas várias possibilidades e tonalidades, fornecendo um alimento anímico para a alma da criança/jovem, além de trabalhar a criatividade, o sentido da visão e do movimento.
AVD – Atividade da vida diária – É a prática das tarefas rotineiras, tais como trocar de roupa, escovar os dentes, varrer o chão, lavar a louça, etc., possibilitando ao aluno ganhar sua independência nas tarefas do dia a dia.
Brincar Livre – É importante um momento para a criança brincar livremente, pois é no brincar, que ela imita o trabalho, os gestos dos adultos, aprende o alfabeto, os números e vivencia as cores. As brincadeiras devem acontecer de tal forma que haja momentos de contração e expansão
Contos de fadas/história – São imagens que atuam no interior da alma da criança/jovem. São eventos e desafios que devem ser enfrentados e superados. Trazem o que é bom e ruim na vida do ser humano, podem dar força para superar essas experiências de diversas formas. Assim dão ao aluno confiança de que os desafios podem ser superados. Estão cheios de imagens que ajudam a construir a personalidade. Quando o aluno se envolve com as histórias, alegrando-se ou entristecendo-se, ele participa e isso faz com que despertem nele impulsos para vontade de agir e quando ele os leva para o sono são metabolizadas todas as vivências do dia. A partir disso desenvolvem-se as habilidades desta sua existência. É o alimento anímico. Segundo Rudolf Steiner, o conto de fadas é um tesouro espiritual da humanidade.
Desenhos de Formas – Entre retas e curvas o desenho de formas trabalha a concentração, a respiração, a percepção do espaço/forma e o movimento (a lateralidade, a visão espacial, a escrita e a coordenação motora fina). Quando praticado a partir dos 7 anos, auxilia no desenvolvimento das forças formativas e plasmadoras da criança. O mais importante não é o resultado, mas sim o processo. As formas atuam no pensar, sentir e querer dando uma possibilidade terapêutica ao desenvolvimento.
Feltragem – A técnica utilizada são lãs naturais de carneiro, a criança/jovem tem a possibilidade de desenvolver a vontade, a coordenação motora fina, o sentido do tato além de trazer calor anímico. Será trabalhada a técnica molhada.
Modelagem – A partir do encontro das duas mãos que formam o espaço interno, desenvolve-se a modelagem de forma livre e aos poucos as formas vão surgindo, atua na vida emocional do aluno, incentivando-o na vontade de criar. Será utilizada cera de abelha ou massinha de modelar.
Atividades Pedagógicas – Os conteúdos das épocas pedagógicas vão auxiliar no desenvolvimento do pensar, sentir e querer, na formação dos órgãos, desenvolvendo sua maturidade emocional, portanto deve atender a criança/jovem respeitando as necessidades das diferentes faixas etárias, como proposto para a educação segundo a Antroposofia.
Padaria/Culinária – Ao amassar, sovar, dar forma ao pão, ver a transformação e o crescimento, cortar, separar, trabalha-se o tato, a motricidade, a paciência, a habilidade manual, o trabalho em grupo e, além disso, ao medir as quantidades, vivencia-se também a matemática.
Atividades Adicionais
Atividade Física – As atividades físicas tem o intuito de desenvolver habilidades motoras básicas, sociais e funcionais, promovendo autonomia progressiva dos alunos por meio do movimento, do ritmo, da vivência corporal e de experiências práticas do meio social. Tem o propósito de incluir atividades motoras fundamentais (andar, correr, pular, empurrar, carregar); estimular equilíbrio, coordenação, lateralidade e consciência corporal; trabalhar noções de espaço, tempo e ritmo, e incentivar autonomia em atividades do cotidiano.
Movimento – Os exercícios de movimento, baseados na Antroposofia, são fundamentais para o desenvolvimento físico, anímico e espiritual do aluno. É composto de atividades que estimulam a percepção corporal, a coordenação motora, os sentidos humanos (tato, vital, movimento e equilíbrio), o ritmo, a atenção, atuando no pensar, no sentir e no querer. As atividades acompanham as estações do ano, as festas cristãs e a época pedagógica.
Música – Os encontros são estruturados de acordo com as características evolutivas da criança/jovem. Acompanham o ensino em épocas e os conteúdos trabalhados pelo educador, respeitando o tempo e o processo de seu desenvolvimento, acolhendo as capacidades dos alunos e da turma, sendo sujeito a adaptações de acordo com a visão da Antroposofia. O objetivo principal é desvendar a musicalidade, despertar o interesse e oferecer “ferramentas” para um desenvolvimento sadio. O importante será sempre o processo vivenciado e não o resultado final.
Jardinagem – Proporcionar uma prática terapêutica para estimular o contato com a natureza, através da terra, água, luz, ar, plantas ornamentais, aromáticas, hortaliças, plantas frutíferas, entre outras.
Espera-se que o aluno desenvolva habilidades de destreza, concentração, raciocínio lógico, linguístico e aprimore a sensibilidade e a percepção dos aspectos da natureza, do tempo e dos ciclos da vida. Em cada aula, uma hortaliça (ou técnica de cultivo) será apresentada. Os alunos serão estimulados para sentir textura, cheiro e sabor.
Terapia artística – A terapia artística antroposófica constitui uma intervenção terapêutica fundamentada na antroposofia de Rudolf Steiner, empregando as artes (pintura, desenho, modelagem) para integrar indivíduo em seus níveis físico, vital, anímico e espiritual. É um recurso para promover transformação e desenvolvimento por intermédio das cores e formas.
Trabalhos Manuais – Promove o desenvolvimento com base na antroposofia por meio de atividades manuais, integrando aspectos motores, emocionais e sociais.
Tem por objetivo desenvolver habilidades motoras finas e coordenação motora global, através de práticas manuais que respeitam o ritmo e as possibilidades individuais, estimulando a percepção tátil, visual, olfato e auditiva por meio de materiais naturais (lã, tecidos, fios), promovendo o refinamento sensorial, ativando força de vontade e concentração, com respeito ao tempo de cada um, incentivando o foco e a continuidade das ações.
Aulas práticas com fios e materiais naturais, acontecem em grupo, porém o trabalho é individualizado trazendo calor e pertencimento.
Os conteúdos básicos (matemática, português, história, geografia, ciência, estudos sociais...) serão ministrados pelo professor de classe na aula principal de forma harmoniosa e saudável procurando desenvolver as capacidades dos educandos.
Nesse cenário valorizaremos as habilidades individuais. Fortalecendo o aprendizado cujo tema central não será só estudo, mas observação, visando a vida social e integração da classe.
Para criança aprender a escrever tranquilamente se faz necessário o ambiente adequado e saudável, sendo que a leitura surgirá com o tempo. Durante os três primeiros anos da escola, a criança gosta do movimento, de ritmo e de rimas.
O desenvolvimento da escrita partindo de imagens e histórias, de maneira artística. Vivência da qualidade dos sons, da rima e do ritmo usando como recurso à língua falada e o som é acompanhado de versos e rimas.
Dessa maneira, levamos a criança à essência do som, usando a imagem, a fala e a escrita através do movimento, das brincadeiras ao ar livre, da composição dos trabalhos em sala de aula, das vivências artísticas, das histórias; juntamente com professores de matéria e terapeutas que fazem parte desse processo de desenvolvimento.
Trabalhos com a fala através do bem-estar na respiração, da emissão e da sonoridade de minha fala – especialmente na parte rítmica da aula – nesse empenho para guiar a própria fala passar para as crianças a segurança dos versos, dos exercícios, o conteúdo das histórias, assim como as habilidades dos movimentos e gestos.
O cultivo da fala o homem se distingue de todos os outros seres pela fala. Ela permite a comunicação entre os homens e serve na escola para o intercâmbio mental entre os professores e os alunos. A fala devidamente trabalhada se torna um meio muito importante para formação das crianças.
Com procedimentos de forma carinhosa e com entusiasmo passaremos os conteúdos a serem trabalhados fazendo a criança se relacionar com as letras, versos, rimas e histórias. – Sandra Anduono –
A educação terapêutica e terapia social abrangem os campos da pedagogia, da psicologia e da medicina. Ela observa o desenvolvimento cronológico da criança e os métodos necessários nas diversas idades, mas confronta-se igualmente com as imperfeições físicas, psíquicas e espirituais da pessoa que precisa dos cuidados especiais, ajudando na superação da discrepância entre a individualidade e o seu instrumento corpóreo.
Cada pessoa é uma individualidade preciosa, tendo sua própria tarefa e evolução na terra. Assim, na educação terapêutica e terapia social não se trata de “encaixar” a pessoa dentro dos esquemas psiquiátricos, sociopolíticos, econômico-produtivos, etc., que tanto inibem o desenvolvimento específico da personalidade, porém trata-se de fomentar justamente a capacidade de poder viver e vivenciar o que é mais verdadeiro no próprio ser.
Neste sentido podemos dizer com as palavras de J.W. Goethe: “Se amamos aos homens meramente como são, degradamo-los; se os tratamos como se fossem o que deveriam ser, levamo-los aonde devem ser levados.”
Na educação terapêutica e terapia social olhamos para a deficiência ou anormalidade de desenvolvimento não como um mal em si, mas como uma forma extrema de algo natural que reside em cada um de nós. Trata-se de um desequilíbrio, o qual pode tender para um ou outro lado. Por exemplo: um processo pode adquirir elementos aceleradores ou inibidores, pode manifestar- se exageradamente para dentro do âmbito neuro-sensorial ou para o âmbito metabólico-motor, etc.
Conseqüentemente, a terapêutica visará menos as terapias artificiais e elaboradas intelectualmente, e sim aquelas que se seguem à observação exata dos fenômenos para direcioná-los para o equilíbrio. Isso, obviamente, sempre respeitando a singularidade e dignidade da criança a ser ajudada. Enquanto o pedagogo concentra-se mais sobre a harmonia das três grandes áreas (pensamento, sentimento e vontade), o pedagogo curativo dirige-se mais para as polaridades em desequilíbrio.
Como também na Pedagogia Waldorf, porém de modo mais acentuado, os elementos do ritmo e da forma, da arte e da criatividade, assim como da ação e praticidade no ensino são fundamentais. O currículo escolar é o mesmo da escola normal, mas adaptado nesse sentido. Outros elementos eminentemente terapêuticos são um invólucro social ético-religioso e o convívio natural com essas crianças, no qual não impera a atenção sobre o imperfeito e subdesenvolvido mas sobre o valioso e singular deste pequeno ser humano.
Nos países europeus a educação terapêutica e terapia social é denominada de “pedagogia curativa” (por exemplo, Heilpädagogik em alemão,curative educationem inglês) e teve sua origem dentro do contexto da Antroposofia, na qual foi inaugurada em 1924 por meio de um curso de conferências do Dr. Rudolf Steiner como uma Pedagogia Curativa Antroposófica, sendo que daí difundiu-se para a pedagogia convencional. A profissionalização nessa área é adquirida em um estudo de nível superior de 4 anos, o qual corresponde ao que no Brasil se chama de psicopedagogia. Só que na Europa ele é um curso em si e não uma pós-graduação. – Fonte: www.sab.org.br